sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O Ano Novo e as Novidades!

No final deste mês iniciaremos um novo ano letivo, que vem sendo programado desde o último semestre de 2008.
Para aqueles que trabalham nas escolas públicas dos municípios, certamente novidades virão em breve, graças à chegada de novos secretários da educação, que foram empossados ontem em todo o País. Na cidade do Rio de janeiro, por exemplo, o prefeito Eduardo Paes já anunciou a mudança no sistema de avaliação-aprovação dos alunos da rede municipal de ensino. Pretende-se que a aprovação automática seja extinta, cabendo à secretaria de educação apresentar um novo projeto (o Decreto 28.878, de 17/12/2007, foi revogado nesta quinta-feira 01/01/2009 conforme o Diário Oficial daquele município).
Independente da instituição, privada ou pública, um ano nunca é idêntico ao outro. Há sempre um professor, um funcionário ou um aluno que acaba de chegar à escola e precisam ser acolhidos por todos. Surgem novos temas para projetos e novos desafios, de acordo com as dificuldades de aprendizagem dos alunos e/ou propostas de ordem pedagógica-administrativa.
Acredito que o maior desafio que todos nós iremos enfrentar no início deste ano é a adequação às novas regras ortográficas, que estão em vigor desde ontem, 01/01/2009.
Como os livros ainda não estarão atualizados, ter as regras em mãos e “atualizar” a escrita dos mesmos junto com os alunos pode render um exercício interessante e significativo para todos -alunos e professores .
Segue um quadro com o resumo das regras. A sugestão é que os exemplos sejam construídos com os alunos. Clique na imagem para vê-la ampliada.

A nova ortografia – O que muda?


Para aprofundar este tema:
"Escrevendo Pela Nova Ortografia" Autor: Instituto Antônio Houaiss e
José Carlos de Azeredo (Coordenação e assistência
técnica) Editora:Publifolha



Feliz 2009 para todos!
Um abraço,
Maria Angela

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Um programa imperdível


Ser ou não Ser? Educação
Uma série de sete programas tratando a Educação a partir da realidade encontrada na escola brasileira: "um modelo pedagógico fragmentado, centrado no ensino e não na aprendizagem, no acúmulo de conteúdos e não no desenvolvimento da capacidade reflexiva e crítica dos estudantes" em contraponto com uma fala recorrente entre o meio educacional a respeito das "características de uma educação contemporânea, marcada especialmente pelas mudanças trazidas pela tecnologia, pela exaustão social e ambiental"
O programa propõe discutir " O que é educar hoje?" e para isso, além de mostrar experiências diversas, traz entrevistas com os educadores : Rubem Alves, Moacir Gadotti, José Pacheco, Rui Canário (Lisboa), Antônio Carlos Gomes da Costa, Celso Antunes, Pedro Demo. Além do Senador Cristovam Buarque e da Secretária de ensino médio e fundamental do MEC Maria Pilar.
Temas abordados em cada episódio:

1: A Fragmentação do Ensino
2: A Formação Plena do Homem.
3: A Importância de Envolver a
4: A Importância da Reflexão na
5: O Valor da Autonomia e da Responsabilidade ( A Escola da Ponte)
6: A Progressão Continuada
7. A Educação de ovens e Adultos: O Problema do Analfabetismo
Todas as quartas feiras às 22h20 no Canal Futura, com reprise aos domingos às 19h30.
Um abraço,
Maria Angela

Uma sugestão aos professores de Biologia

A Dra. Maria-Júlia Estefânia Chelini, Diretora Técnica da Divisão de Difusão Cultural do Museu Paulista da USP, convida a todos para o V Ciclo de Palestras – MZUSP – 2008.
Dia 22 de novembro - 10:30h - Museu de Zoologia da USP.
Tema: Especial Moluscos :
Moluscos, Exposições e Ensino de Biologia


Não é necessário inscrição e será fornecido atestado


O Museu de Zoologia da USP fica na Avenida Nazaré, 481 - Ipiranga - CEP 04263-000 - São Paulo - SP - Brasil - Fone: (55) (11) 2065-8100 - Fax: (55) (11) 2065-8115 - E-Mail: mz@edu.usp.br





Aproveitem,

Maria Angela

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Dia do Professor


O Dia do Professor é comemorado em 15 de outubro porque nessa data, no ano de 1827, D. Pedro I propôs a criação das escolas primárias no Brasil. O documento tornou-se oficial em 15 de outubro de 1933, numa celebração realizada no Instituto de Educação do Rio de Janeiro.A data comemorativa, no entanto, só foi oficializada com o decreto 52.682, de 1963.

Nós professores, sabemos que as homenagens mais significativas não acontecem no Dia do Professor, em momento de festa ou no recebimento de presentes.
As homenagens que demonstram o valor de nossa profissão estão no sorriso dos alunos quando nos recebem para a aula, quando, em algum lugar público um ex-aluno nos reconhece e faz questão de nos abraçar (mesmo que não tenhamos a lembrança de seu nome). Quando vemos nossos alunos transformados em homens de bem, quando em aula um deles diz: " lembrei-me de você professor" ao ler, ouvir, ver algo de que tenhamos comentado...
Quando recebemos o bilhetinho com frases de carinho, do aluno que no inicio do ano mal sabia pegar no lápis. Quando aflitos, com medo, angustiados , aos prantos nos abraçam com a certeza de encontrarem nestes braços o conforto para a dor momentânea . Ou ainda, vem ao nosso encontro para divir as alegrias de suas connquistas.

Enfim, a homenagem está nos simples gestos do dia a dia. Na percepção de tarefa cumprida, ou melhor, bem cumprida.

Fiquem com o meu abraço, pois prá mim, todos vocês, amigos professores têm muito valor!

Que Deus os abençoe e os ilumine para que estejam fortalecidos ao transitarem pelos momentos aflitivos que nossa profissão também exige.

Com carinho,
Maria Angela

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A imprensa e educação brasileira.

Transcrevo na integra a carta de Ana Maria Araújo Freire, viúva de Paulo Freire em repúdio à matéria publicada na Revista Veja em 20 de agosto último.



Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem O queestão ensinando a ele? De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira,ela foi baseada em pesquisa sobre qualidade do ensino no Brasil. Lápelas tantas há o seguinte trecho:"Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que emclasse mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiroargentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citaçõespositivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatrampersonagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental,como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinaçãoesquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidosna pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein,talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diantede uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhoresdocentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvezajude a explicar o fato de eles viverem no passado".Curiosamente, entre os especialistas consultados está o filósofoRoberto Romano, professor da Unicamp. Ele é o autor de um artigopublicado na Folha, em 1990, cujo título é Ceausescu no Ibirapuera.Sem citar o Paulo Freire, ele fala do Paulo Freire. É uma tática deagredir sem assumir. Na época Paulo, era secretário de Educação daprefeita Luiza Erundina. Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita,escreveu a seguinte carta de repúdio:

"Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra PauloFreire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE -- e um dos maiores de toda a história da humanidade --, quero registrar minhamais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cadasemana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadasde nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobresua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama suaopção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas ,camufladamente, age em nome do reacionarismo desta. Esta vem sendo aconstante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quaistodos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e maisjusto, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que oatacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revistaem questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outrosórgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenasreproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas. A matériapublicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoiodo filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente emfavor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo.Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecidono mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que,certamente para se sentirem e serem parceiras do "filósofo" e aceitaspelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedadebrasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável,elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam emfavor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os maispobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamosconseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.Superação realizada não só pela política federal de extinção dapobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido - na qual estapolítica de distribuição da renda se baseou - que demonstrou ao mundoque todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela.Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a máapreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dãocontinuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cataàs bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo atohumanista no nefasto período da Ditadura Militar. Para satisfazerparte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocreque tem a Veja como seu "Norte" e "Bíblia", esta matéria revela quasetão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fomedos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou aesperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifícioe inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que afazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquercusto, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante naeducação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação dacidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de suaclasse social, etnia, gênero, idade ou religião. Querendo diminuí-lo eofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito deconcluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, avalidando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está nocaminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendodiminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá odireito de proclamar que Paulo Freire Vive!
São Paulo, 11 de setembro de 2008.
Ana Maria Araújo Freire".

Um abraço,
Maria Angela