Há alguns meses li uma reportagem a respeito da interessante experiência vivida pelo jornalista Rodrigo Ratier na cidade de São Paulo. Rodrigo colocou em seu carro uma caixa contendo obras de autores variados e circulou pelas ruas oferecendo os livros aos pedintes e ambulantes que cercavam seu carro nos semáforos da cidade. Rodrigo conta que não houve recusa e havia quem lhe pedisse mais de um.
Esta história chamou minha atenção para os livros que estavam acomodados nas prateleiras de minha casa havia anos, apenas ficando cada vez mais amarelos e cheios de ácaros.
Resolvi adaptar a experiência do jornalista para a vida de Poços de Caldas – afinal, não encontramos pedintes e vendedores nos semáforos daqui.
Denominado “Passa Livros” (nome inspirado na brincadeira infantil “passa anel”), preparei um recadinho que foi colado em todos os livros:
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“Passa Livro – histórias que circulam pela praça”
Olá, cuide bem deste livro e após desfrutar desta leitura, ofereça-o a alguém, aqui mesmo onde o recebeu. Não deixe que esta história fique aprisionada novamente na estante. Permita que outros possam ter a mesma oportunidade que você. Faça as histórias circularem pela praça.
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A ideia inicial era distribuir os livros nas praças da cidade e dar a cada um a responsabilidade de fazer o livro / histórias continuarem a circular.
Esta manhã fazia muito frio -apesar de céu claro e sol brilhante. Depois de fazer minha caminhada matutina, desta vez com olhar atento aos que transitavam pela praça, voltei para o carro, peguei a primeira pilha de livros e comecei a distribuição.
Procurei abordar inicialmente os trabalhadores da praça -jardineiros e varredores- mas fui oferecendo os livros a todos que me pareciam abertos a me receber.
O primeiro deles foi um jardineiro: trocamos algumas informações de ordem técnica sobre jardins e gramas, daí perguntei a ele se gostava de ler e se aceitava um livro. Inicialmente não quis, mas depois que seu companheiro de trabalho pediu para ver os livros e aceitou um, voltou atrás e escolheu um para si também.
Logo em seguida duas senhoras que tomavam sol recusaram meus livros, mas a “festa” ficou por conta das senhoras que varriam os jardins. Nenhuma delas recusou. Algumas levaram mais de um livro. Um sorveteiro disse-me que gostava de ler jornais, então dei a ele uma revista.
Outra pessoa, que afirmava gostar de ler, questionou-me se não faria falta para mim o livro que ofereci. Um senhor que descansava após caminhar ficou surpreso com minha atitude e me parabenizou. Um grupo de garotas usou a expressão “Que massa!” para a ideia de distribuir livros.
Quando eu carregava a última pilha de livros, duas senhoras que varriam a calçada me chamaram de longe: “hei, você não é a ‘moça dos livros’? Eu queria um também!” – acabou levando dois. Um rapaz, artista de rua, disse-me que eu realizaria um sonho se pudesse lhe dar os livros de arte. Ganhou os livros.
As manifestações foram variadas, surpreendentes e até emocionantes.
Todos receberam os livros com duas únicas recomendações: aproveitar a leitura e passar o livro adiante! Meu dia foi muito especial, podem ter certeza.
Como pouco se cria, mas muito se transforma, fica aqui minha sugestão: livro na estante só tem vida quando manuseado e lido por alguém, caso contrário só ocupa espaço e cria ácaros. Faça acontecer em sua cidade ou bairro um “Passa Livros” também. Mas, caso você tenha dificuldades para isso e tem livros para “passar”, se morar entre São Paulo e Poços de Caldas mande um email que cuidarei para retirar os livros (san-caruso@hotmail.com)
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Um abraço,
Maria Angela
segunda-feira, 13 de julho de 2009
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Leitura para as férias
Educadores devem estar sempre atualizados. Assim, sugiro inicialmente dois bons livros para estas férias:
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- "Escola Reflexiva e nova racionalidade" - Isabel Alarcão, org. - Artmed Editora- Porto Alegre , 2001.
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Os autores nos levam a "refletir" sobre o papel da escola e de todos os que nela trabalham. Sugerem uma discussão sobre as relações interpessoais na escola , a interferência desta no alcance dos objetivos da instituição e a variação no nível de consciência dos profissionais -quem somos e as relações que estabelecemos com o outro.
Uma leitura indicada a todos os que fazem parte da instituição escolar.
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- " Como as crianças veem a cidade" - Arno Vogel, Vera Lucia de O. Vogel, Gerônimo E. de A. Leitão - Ed Pallas - 2006
Com o objetivo de desenvolver cidadania e refletir sobre os problemas urbanos causados pelas rapidas transformações na cidade do Rio de Janeiro, os pesquisadores desenvolveram um trabalho belíssimo sob a ótica das crianças. A pesquisa "ouviu" ,via cartas e desenhos, os alunos de escolas públicas e particulares de ensino fundamental, rastreando toda a cidade carioca.
Os resultados nos propõe uma análise bastante interessante sobre as visões das crianças a respeito de temas como : poluição, trânsito, moradia, o centro e as belezas da cidade. Nota-se ao longo da leitura e com análise criteriosa dos autores, que as ideias das crianças em alguns momentos são construídas por sua própria observação e vivência e em outros reprodução das falas dos adultos ou pela mídia local.
A leitura deste texto nos dá margem a pensar projetos de estudos bastante significativos que levem os alunos a descobrirem e pensarem criticamente as cidades onde vivem.
Boa leitura, boas férias!
Um abraço,
Maria Angela
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- "Escola Reflexiva e nova racionalidade" - Isabel Alarcão, org. - Artmed Editora- Porto Alegre , 2001..
Os autores nos levam a "refletir" sobre o papel da escola e de todos os que nela trabalham. Sugerem uma discussão sobre as relações interpessoais na escola , a interferência desta no alcance dos objetivos da instituição e a variação no nível de consciência dos profissionais -quem somos e as relações que estabelecemos com o outro.
Uma leitura indicada a todos os que fazem parte da instituição escolar.
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- " Como as crianças veem a cidade" - Arno Vogel, Vera Lucia de O. Vogel, Gerônimo E. de A. Leitão - Ed Pallas - 2006
Com o objetivo de desenvolver cidadania e refletir sobre os problemas urbanos causados pelas rapidas transformações na cidade do Rio de Janeiro, os pesquisadores desenvolveram um trabalho belíssimo sob a ótica das crianças. A pesquisa "ouviu" ,via cartas e desenhos, os alunos de escolas públicas e particulares de ensino fundamental, rastreando toda a cidade carioca.
Os resultados nos propõe uma análise bastante interessante sobre as visões das crianças a respeito de temas como : poluição, trânsito, moradia, o centro e as belezas da cidade. Nota-se ao longo da leitura e com análise criteriosa dos autores, que as ideias das crianças em alguns momentos são construídas por sua própria observação e vivência e em outros reprodução das falas dos adultos ou pela mídia local.
A leitura deste texto nos dá margem a pensar projetos de estudos bastante significativos que levem os alunos a descobrirem e pensarem criticamente as cidades onde vivem.
Boa leitura, boas férias!
Um abraço,
Maria Angela
O que se ganha com um “Novo ENEM”?
Em 1996 qual foi promulgada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional ( LDB 9394/96), determinou-se um Ensino Médio ( antigo segundo grau) preocupado em garantir que os últimos anos da escolarização básica sejam consolidadas competências que permitam ao estudante cumprir sua função social como cidadão consciente e critico, ingressar no mercado de trabalho bem como seguir estudos técnicos e/ou universitários. Para tanto estruturou –se um currículo baseado em desenvolver uma gama de habilidades que em conjunto configuram as competências necessárias para resolver as situações problemas que encontradas na vida em sociedade. Por exemplo: “dominar a norma culta da Língua Portuguesa, compreender fenômenos naturais, enfrentar situações-problema, construir argumentações consistentes e elaborar propostas que atentem para as questões sociais.” (www.enem.inep.gov.br). Em outras palavras desenvolver leitura e compreensão bem como raciocínio lógico.
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Para que se pudesse acompanhar criteriosamente se o programa estabelecido para o Ensino Médio e fazer os ajustes necessários, foi criado em 1998 o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM. Uma prova coerente com os objetivos do Ensino Médio implantado, pois avalia a capacidade dos alunos em resolver situações . Não é uma prova conteúdista que basta ter decorado formulas, mas refletir sobre as questões e a partir do conhecimento que se tem do assunto encontrar uma solução possível.
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Quando criado, o ENEM foi pensado para, em poucos anos, servir como parte da avaliação dos candidatos as universidades do país. E a partir deste ano fazendo a substituição, em especial nas universidades públicas, dos tradicionais exames de vestibulares.
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O que se ganha com o “Novo ENEM”? Em minha opinião, em primeiro lugar ganham os estudantes pois , se a prova continuar mantendo a estrutura de “solução de situações problemas” ela passa a ser a forma mais democrática de seleção para a universidade, bem como para os programas de bolsa de estudos, pois não se trata de avaliar quem tem o conteúdo estudado na “ponta da língua”, mas quem é capaz de fazer uso consciente do que aprendeu.
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Em segundo lugar, ganham as escolas e consequentemente os alunos e toda a sociedade que desvinculados da imposição dos conteúdos determinados pelo vestibular tradicional – conhecimentos que na prática só servem para fazer a prova de ingresso para a universidade – estão “livres” para trabalhar assuntos cujo conhecimento será significativo para o aluno, uma vez que será imediatamente útil na sociedade que está inserido. Vale lembrar que mesmo com uma nova estrutura de Ensino Médio desde 1996, na prática, até hoje muitas escolas ainda se baseiam na “preparação para o vestibular” e nem sempre em preparar o aluno para ser, entre outros, universitário.
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Certamente que a indústria dos cursinhos pré vestibulares estarão em crise. Afinal sendo uma prova interdisciplinar – integra várias áreas do conhecimento numa mesma questão para a solução de situações problemas - não há pegadinhas ou macetes a serem treinados nem conceitos decorados que ajudarão na hora da prova.
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Este ano a prova do ENEM acontece nos dias 3 e 4 de outubro com 45 questões objetivas (múltipla escolha) em cada áreas do conhecimento: linguagens, códigos e suas tecnologias e uma redação.
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Vale lembrar que o ENEM será usado :
1. Como prova única para as Universidades Federais – os candidatos apontam, no ato da inscrição, até cinco cursos e universidades que desejam estudar e a escolha é feita partir dos resultados ele obtiver;
2. Como primeira fase ou pontuação complementar para universidades privadas de acordo com o estabelecido pela própria instituição;
3. Como critério para a seleção de bolsas de estudo no Programa Universidade para Todos (ProUni);
4. Como avaliação da qualidade do ensino promovido nas escolas de todo país.
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Há que se ter consciência de que as escolas voltem a se reorganizar para um currículo de habilidades e competência e serão os alunos que terminarão o Ensino Médio daqui três anos que nos darão indicadores mais precisos desta mudança no sistema educacional.
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Sem dúvida foi uma decisão audaciosa das autoridades e esperamos que o próximo governo mantenha com qualidade o programa que agora se inicia. E mais, que as escolas e seus profissionais recebam o incentivo por melhores condições de trabalho e os números apresentados nas estatísticas sejam compatíveis com a realidade.
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Um abraço,
Maria Angela
quarta-feira, 20 de maio de 2009

Movimento 70 anos de Pedagogia no Brasil
Novo ENEM? Vestibular modificado? Educação inclusiva? Escola de nove anos? Alfabetizar ou não nas séries iniciais? Provinha Brasil? Prouni ? O que é tudo isso?
Estas são algumas das perguntas que a população tem feito e que, em geral ouve ou reproduz sem saber do que se trata.
Educação no Brasil tem recebido notas abaixo da média em seu boletim e é preciso mudar este cenário. Entendendo que é a partir do conhecimento que se dá a valorização, a Faculdade de Pedagogia da PUC Minas – Poços de Caldas lançou o MOVIMENTO 70 ANOS DE PEDAGOGIA NO BRASIL.
Entre outros, o Movimento objetiva aproximar o mundo acadêmico da linguagem mais popular a fim de que toda a sociedade compreenda o que se faz em educação em nosso país. O diálogo universidade- população acontece via os meios de comunicação de massa. As rádios e TVs da cidade de Poços de Caldas são parceiras dos docentes da Pedagogia da PUC nesta maratona de esclarecimentos e valorização da educação.
Para quem sintoniza a FM 99,5 – Rádio Libertas, o programa Sala de Visitas que vai ao ar diariamente às 15horas acaba de dedicar o horário das quintas-feiras ao tema Educação. A cada semana um docente da Pedagogia fala sobre um tema especifico da área e responde as dúvidas dos ouvintes.
Fica aqui o convite para os cursos de Pedagogia em todo o país mobilizarem-se em suas cidades de origem.
Um pouco de História:
A primeira regulamentação do curso de Pedagogia se deu através do Decreto-Lei n. 1190 de 04 de abril de 1939, durante o governo Getúlio Vargas. Nestes 70 anos, a Pedagogia tem sido marcada pela aproximação às exigências do mundo produtivo, desencadeando mudanças significativas nas atividades pedagógicas.
Hoje, este campo de conhecimentos tem como área de estudos a criança e seus processos educativos. É esta área do conhecimento responsável por formar professores de Educação Infantil e primeiras séries do Ensino Fundamental. É responsabilidade deste profissional o atendimento às necessidades educacionais dos alunos, as necessidades pedagógicas dos professores e fazer a ponte-parceria com a família e a comunidade.
Além disso, outros campos de atuação vêm se configurando para o pedagogo: a pedagogia hospitalar, a atuação em empresas e a pedagogia social são exemplos de outras possibilidades de trabalho.
Para saber mais:
- SAVIANI, Dermeval - A pedagogia no Brasil: história e teoria. Campinas, SP: Autores Associados, 2008. (Coleção Memória da Educação)
Para saber mais:
- SAVIANI, Dermeval - A pedagogia no Brasil: história e teoria. Campinas, SP: Autores Associados, 2008. (Coleção Memória da Educação)
- MARTINS, Fernando José - Pedagogia e Docência no Brasil - II Congresso Internacional do CIDInE: Novos contextos de formação, pesquisa mediação - in www.ispgaya.pt/cidine/cidine2009/PAPERCIDINE/P_MARTINS,%20F.pdf
- Pedagogia PUC Minas – Poços de Caldas
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Um abraço,
Maria Angela
segunda-feira, 23 de março de 2009
Pedagogo, para quê?
“Péricles foi um célebre orador e estrategista que governou Atenas de 460-430 a.C., e ficou conhecido na história como a maior figura política daquela cidade.Estimulou as artes e a cultura, realizou grandes construções como o Partenon, templo pagão de insuperável perfeição arquitetônica e riqueza escultural de Atenas.Certa feita, promoveu uma grande festa em homenagem à beleza da cidade de Atenas, para a qual mandou convidar todos aqueles que de alguma forma haviam contribuído para que a cidade ficasse tão bela.Avisado que os convidados já estavam presentes, Péricles lançou seu olhar sobre os salões e notou escultores, pintores, arquitetos, políticos, mas não percebeu nenhum pedagogo.Chamou seus assistentes e lhes perguntou porque os pedagogos não estavam ali. E eles responderam: "porque não foram convidados, senhor. Afinal, não deram nenhuma contribuição para embelezar Atenas."Então Péricles ordenou: "vão convidá-los imediatamente para a festa, pois são eles que embelezam as almas dos atenienses."Interessante pensar no que isso significa.Importante refletir sobre o que significa ter o poder de esculpir nas almas daqueles que se dispõem ao aprendizado, à reflexão sobre os valores, as virtudes, o sentido da vida.E nesse contexto podemos dizer que os professores são escultores de almas, sim.Um dia um professor aposentado, alma sensível e dedicada, competente e estudioso, estava sendo entrevistado e lhe foi pedido para que falasse um pouco sobre sua maior produção literária, pois também é escritor, e ele falou com sabedoria: "minha maior produção são os meus alunos."De fato, quem tem acesso a um ser humano, numa sala de aula, predisposto a receber lições, poderá deixar uma grande e nobre produção.Trabalhar com as mentes e os corações é algo de valor inestimável.E como o professor também é um ser inacabado, a experiência numa sala de aula pode e deve ser uma grande oportunidade de ensinar aprendendo e aprender ensinando.No cômputo final, o resultado será uma grande experiência conjunta que faculta a ambas as partes momentos de embelezamento mútuo.Se você tem o elemento humano sob sua responsabilidade, lembre-se da importância dessa nobre tarefa e seja um artista dedicado a embelezar as almas dos seus educandos, pois é de almas belas e nobres que a humanidade precisa.
Pense nisso!
Você, que é professor(a), antes de iniciar a sua aula, olhe para os rostos que estão a sua frente e lembre-se de que são almas prontas a absorver suas lições.E não serão somente as instruções formais que irão captar, mas, acima de tudo, essas almas absorverão suas vibrações de amor, dedicação e entusiasmo com que se dirige a tudo. Afinal, ensinar é uma arte que requer mais do que simplesmente transferir informações.É a sabedoria de criar possibilidades para que cada aluno se produza e se construa a si mesmo com os elementos de reflexão que recebe do seu mestre.
Seja um bom escultor de almas.”Você, que é professor(a), antes de iniciar a sua aula, olhe para os rostos que estão a sua frente e lembre-se de que são almas prontas a absorver suas lições.E não serão somente as instruções formais que irão captar, mas, acima de tudo, essas almas absorverão suas vibrações de amor, dedicação e entusiasmo com que se dirige a tudo. Afinal, ensinar é uma arte que requer mais do que simplesmente transferir informações.É a sabedoria de criar possibilidades para que cada aluno se produza e se construa a si mesmo com os elementos de reflexão que recebe do seu mestre.
(autor desconhecido)
Dedico este texto a todos aqueles que administram o ensino superior brasileiro, aos reitores das universidades que insistem em não investir nos cursos de Pedagogia e impedem a implantação de cursos de licenciatura.
Haverá um momento em que não restarão profissionais com formação para o magistério ( e de qualidade) para atender, nem mesmo, os filhos das autoridades deste país.
Com carinho aos educadores, com pesar aos “homens de negócio”
Maria Angela
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