segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Dia do Professor


O Dia do Professor é comemorado em 15 de outubro porque nessa data, no ano de 1827, D. Pedro I propôs a criação das escolas primárias no Brasil. O documento tornou-se oficial em 15 de outubro de 1933, numa celebração realizada no Instituto de Educação do Rio de Janeiro.A data comemorativa, no entanto, só foi oficializada com o decreto 52.682, de 1963.

Nós professores, sabemos que as homenagens mais significativas não acontecem no Dia do Professor, em momento de festa ou no recebimento de presentes.
As homenagens que demonstram o valor de nossa profissão estão no sorriso dos alunos quando nos recebem para a aula, quando, em algum lugar público um ex-aluno nos reconhece e faz questão de nos abraçar (mesmo que não tenhamos a lembrança de seu nome). Quando vemos nossos alunos transformados em homens de bem, quando em aula um deles diz: " lembrei-me de você professor" ao ler, ouvir, ver algo de que tenhamos comentado...
Quando recebemos o bilhetinho com frases de carinho, do aluno que no inicio do ano mal sabia pegar no lápis. Quando aflitos, com medo, angustiados , aos prantos nos abraçam com a certeza de encontrarem nestes braços o conforto para a dor momentânea . Ou ainda, vem ao nosso encontro para divir as alegrias de suas connquistas.

Enfim, a homenagem está nos simples gestos do dia a dia. Na percepção de tarefa cumprida, ou melhor, bem cumprida.

Fiquem com o meu abraço, pois prá mim, todos vocês, amigos professores têm muito valor!

Que Deus os abençoe e os ilumine para que estejam fortalecidos ao transitarem pelos momentos aflitivos que nossa profissão também exige.

Com carinho,
Maria Angela

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A imprensa e educação brasileira.

Transcrevo na integra a carta de Ana Maria Araújo Freire, viúva de Paulo Freire em repúdio à matéria publicada na Revista Veja em 20 de agosto último.



Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem O queestão ensinando a ele? De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira,ela foi baseada em pesquisa sobre qualidade do ensino no Brasil. Lápelas tantas há o seguinte trecho:"Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que emclasse mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiroargentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citaçõespositivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatrampersonagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental,como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinaçãoesquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidosna pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein,talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diantede uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhoresdocentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvezajude a explicar o fato de eles viverem no passado".Curiosamente, entre os especialistas consultados está o filósofoRoberto Romano, professor da Unicamp. Ele é o autor de um artigopublicado na Folha, em 1990, cujo título é Ceausescu no Ibirapuera.Sem citar o Paulo Freire, ele fala do Paulo Freire. É uma tática deagredir sem assumir. Na época Paulo, era secretário de Educação daprefeita Luiza Erundina. Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita,escreveu a seguinte carta de repúdio:

"Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra PauloFreire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE -- e um dos maiores de toda a história da humanidade --, quero registrar minhamais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cadasemana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadasde nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobresua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama suaopção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas ,camufladamente, age em nome do reacionarismo desta. Esta vem sendo aconstante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quaistodos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e maisjusto, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que oatacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revistaem questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outrosórgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenasreproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas. A matériapublicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoiodo filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente emfavor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo.Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecidono mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que,certamente para se sentirem e serem parceiras do "filósofo" e aceitaspelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedadebrasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável,elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam emfavor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os maispobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamosconseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.Superação realizada não só pela política federal de extinção dapobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido - na qual estapolítica de distribuição da renda se baseou - que demonstrou ao mundoque todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela.Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a máapreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dãocontinuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cataàs bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo atohumanista no nefasto período da Ditadura Militar. Para satisfazerparte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocreque tem a Veja como seu "Norte" e "Bíblia", esta matéria revela quasetão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fomedos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou aesperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifícioe inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que afazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquercusto, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante naeducação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação dacidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de suaclasse social, etnia, gênero, idade ou religião. Querendo diminuí-lo eofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito deconcluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, avalidando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está nocaminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendodiminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá odireito de proclamar que Paulo Freire Vive!
São Paulo, 11 de setembro de 2008.
Ana Maria Araújo Freire".

Um abraço,
Maria Angela

quinta-feira, 31 de julho de 2008

O Método Psicogenético de Lauro de Oliveira Lima e o Filme Escritores da Liberdade



Recentemente, sem me preocupar com o conteúdo do filme, fui ver “Escritores da Liberdade”. Mais uma vez estava diante de um tema que retrata questões do nazismo. Entretanto, curiosamente um filme que a mim retratava o olhar e escuta pedagógica propostos por Alicia Fernandes e mais, como recém havia terminado uma leitura sobre o Método Psicogenético, não tive dúvidas em perceber semelhanças com a prática pedagógica da protagonista do filme.
Mas, se nada disso possa atrair o caro leitor deste blog, o filme vale por si só.

O Método

Quando estudamos Piaget, em geral a grande dificuldade é compreender a possibilidade de aplicação, no espaço real da sala de aula, de sua teoria. É sabido que Piaget realizou estudos de grande importância a respeito do desenvolvimento da inteligência humana, mas em nenhum momento desenvolveu um método de ensino com base em seus estudos. Felizmente, muitos pesquisadores da educação foram capazes de criar metodologias pedagógicas levando em conta as contribuições de Jean Piaget.

No Brasil, o professor Lauro de Oliveira Lima, figura marcante na história da educação brasileira, contemporâneo de Darci Ribeiro e Paulo Freire, foi considerado um reformador do ensino brasileiro em função de suas críticas ao sistema. Oliveira Lima buscou respaldo científico nos estudos de Piaget sobre o desenvolvimento intelectual das crianças para criar o Método Psicogenético – uma visão pedagógica da teoria piagetiana.(*)
___________________________
*Em 1972 fundou uma escola experimental no Rio de Janeiro, “A Chave do Tamanho”, que teve autorização de Piaget, em uma carta escrita de próprio punho. Hoje, aos 87 anos , ainda está engajado nas questões político- educacionais.

O Método Psicogenético apóia-se no tripé:


I.Situação problema: toda atividade proposta para a criança deve ser transformada em uma situação problema com o grau de dificuldade exato para que não resolva com facilidade, porém que alcance a resolução. Nada de entregar o raciocínio pronto para a criança, mas propiciar que ela estruture as idéias, levante hipóteses , tire conclusões. O professor é o mediador do conhecimento. Sempre que a criança fizer a atividade proposta com segurança, o professor complica a situação, cria um desafio para continuar a desenvolver-se;


II.Dinâmica de grupo: As soluções devem ser sempre discutidas em grupo para que as crianças aprendam a ouvir e serem ouvidos, respeitar idéias divergentes, cooperar entre si, reestrutur suas idéias;


III.Tomada de consciência: toda atividade depois de resolvida é colocada em debate com o intuito de fazer as crianças explicarem como resolveram a situação problema, que raciocínio fizeram, como encontraram a solução.

O mapa conceitual da estrutura didática proposta pelo Método Psicogenético permite melhor compreensão da base teórica de Jean Piaget:


(Fonte: Lauro de Oliveira Lima, 1981 - retirado da Apostilas do Curso “Piaget na Clínica Psicopedagógica”- Profa. Juhi Cavadagne )


Os Escritores
O Filme “Escritores da Liberdade” (Freedom Writers, EUA, 2007) relata a história verídica de uma professora americana -Erin Gruwell- que se propõe a lecionar Língua Inglesa e Literatura para os alunos de primeiro ano de “high school” e enfrenta , em sua primeira experiência docente, uma turma de adolescentes muito resistentes ao ensino convencional, pois segundo os mesmos, “em nada acrescentava ou modificava suas vidas fora dos muros escolares”.

Em suma, seu primeiro desafio foi “desarmar” seus alunos e criar um clima pacífico de convivência. Afinal, a sala de aula tornara-se uma reunião de gangues avessas ao convívio pacífico, em função das diferenças raciais. Fora da escola, estes grupos vivem em guerra. Alguns alunos cumprem ou já cumpriram pena judicial, perderam amigos ou parentes ou ainda, já foram feridos com tiros. Uma classe marcada pelo rótulo de irrecuperáveis e sem futuro numa escola reconhecida pelo programa de inclusão social que aparente desenvolve.

O fio condutor para desencadear uma “reforma educacional” em sua sala de Língua Inglesa e Literatura foi uma provocação sofrida por um aluno negro. Revoltada com a situação, Erin traz as questões do nazismo para dentro da sala de aula como referência à perseguição sofrida por “homens brancos”, que na visão destes estudantes eram os detentores do poder e com os mesmos nada de ruim aconteceria.

Deixando de lado os “conteúdos programáticos”, necessitava conquistar a confiança dos estudantes, reconhecendo a realidade em que vivem, sem superprotegê-los ou subestimá-los, pelo contrário, mostrando a realidade além dos guetos em que estão inseridos.

Erin descobriu que dar voz aos alunos era uma maneira de permitir se perceberem, reescreverem sua história e se reverem no mundo. Sua estratégia foi o uso da palavra escrita. Seus alunos eram instigados a produzirem textos autobiográficos – passagens de sua vida, momentos importantes, conflitos, sonhos...

Apropriando-se da escrita como ação de transformação (atividade com significado), necessitavam recorrer aos conhecimentos da gramática, dicionários e outros recursos a fim de tornarem a comunicação de suas idéias a mais compreensiva para seus possíveis leitores. (Obs.: o projeto desenvolvido pela professora americana resultou em um livro, publicado nos Estados Unidos em 1999, no qual o filme foi baseado).

Quanto ao estudo da literatura, Erin sugeriu a leitura de diferentes títulos que abordam questões cruciais da humanidade, propiciando aos alunos a percepção de pontos em comum entre suas histórias de vida com o que liam.

O contato com obras como “O Diário de Anne Frank”, por exemplo, foram ingredientes importantes para a compreensão dos jovens quanto à necessidade, entre outros, de tolerância mútua e respeito às diversidades para viver em comunidade: serem notados e respeitados.

Contudo, no decorrer do processo educacional mediado pela professora Erin, foi notória a mudança na atitude dos alunos – auto-estima, convivência, visão de mundo, construção de uma vida social mais digna.

Mais do que bons leitores e possíveis escritores, a professora americana transformou seus alunos em seres capazes de pensar criticamente sobre sua realidade social, não aceitando, sem hesitar, as idéias de seu grupo ou líder fanático, responsáveis por suas escolhas.

“O professor que faz o aluno ler, comentar, analisar, dissecar, apreciar textos de alto valor literário, não precisa preocupar-se com o ensino da gramática, que é uma atitude fria e lógica sobre um problema de natureza altamente afetiva como a linguagem literária ou coloquial (Lima, 1974, p. 104).
Metodologia X Filme
O quadro abaixo nos traz, resumidamente, o “Método Psicogenético em Dez Mandamentos”. Proponho verem o filme acompanhando esses passos e concluírem por si a proposta deste texto: “a metodologia proposta por Lauro de Oliveira Lima à luz da teoria piagetiana numa prática possível”.

1 - Não ensine: provoque a atividade da criança (algo parecido com a brincadeira tradicional de "adivinhação");

2 - Leve as crianças a discutirem entre si a situação proposta e respeite suas conclusões, mesmo que "erradas" (a solução dada pelas crianças corresponde ao seu nível mental);

3 - Não trabalhe na base da linguagem (sendo um produto social assimilado por imitação, a linguagem nada diz sobre o verdadeiro nível de desenvolvimento da criança);

4 - Não prestigie a memorização: o melhor resultado é o que demonstrar capacidade de inventar e descobrir (mesmo que, do ponto de vista do professor, a solução seja errada);

5 - Comporte-se como técnico do time de futebol: estimule, sugira, critique, mas não jogue (o jogo é das crianças);

6 - Use como "material" o que existir no mundo da criança (seja ela de uma favela ou de um bairro grã-fino);

7 - Sempre que a criança superar um patamar, “complexifique” a situação (sem isto, a criança se "especializa" na solução obtida);

8 - Na alfabetização utilize as marcas e logotipos que estão espalhados pela cidade e são utilizados no dia-a-dia da família (não se prenda às cartilhas);

9 - Organizar as crianças em grupos (pode até tomar como modelo inicial o escotismo), deixando que elas criem as regras de convivência (educação moral e cívica é democracia);

10 - Leve as crianças a compreender o que fizeram ("tomada de consciência"), quer a atividade seja motora, verbal ou mental (incluindo, aí, os atritos surgidos entre as crianças). (Lima, 1984a, p. 70).



Bibliografia:- “A OBRA DE LAURO DE OLIVEIRA LIMA” - www.pedagogiaemfoco.pro.br/per10g.htm

- “LAURO OLIVEIRA LIMA: REBELDE QUANDO A CAUSA É A EDUCAÇÃO” - Mara Lúcia Martins - www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educacao/0069_04.html

- “O FILME ESCRITORES DA LIBERDADE E A FUNÇÃO DO PENSAMENTO EM HANNAH ARENDT” - Raymundo de Lima -http://www.espacoacademico.com.br/082/82lima.htm

Ficha Técnica:
Filme: Escritores da Liberdade (Freedom Writers, 2007)

Gênero: Drama Duração: 123 min

Origem: Alemanha - EUA

Estréia - EUA: 05 de Janeiro de 2007

Estúdio: Paramount Pictures Direção: Richard LaGravenese


Aproveitem o filme!
Um abraço,
Maria Angela

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Uma sugestão para professores de História:

A poucos dias fiz a leitura de “ A menina que roubava livros ” – Markus Zusak – Ed. Intrinseca, que conta a história de uma menina alemã deixada pela mãe para ser criada por uma casal de estranhos. Uma órfã que cresce num bairro pobre em plena Alemanha nazista e que busca o significado de sua própria existência. Uma leitura muito intrigante visto que a narrativa é feita por um terceiro elemento que não vou revelar para não perder o encanto da leitura. A questão é que me interessei em buscar mais dados sobre a vida na Europa, sobretudo na Alemanha nesta época.
Para completar a leitura vi dois documentários muito interessantes , além de bem produzidos, trazem dados para boas discussões sobre a passagem de Aldof Hitler na história da humanidade:

"A Conspiração Nazista"

Título Original: Nazis: Tje Occult Conspiracy
Gênero: Documentário
Duração: 1h30min
Diretor: Tracy Arkinson e Joan Baran
Ano de Lançamento: 2006

Sinopse: Das cinzas da Primeira Guerra Mundial, Adolf Hitler tentou construir uma sinistra nova ordem mundial. Liderada por uma suposta supremacia ariana de super-homens, espalhando um reino de terror que o mundo nunca havia conhecido. Muitos acreditam que os nazistas invocavam espíritos estranhos, e eram adeptos de espíritos que permaneceram adormecidos na Europa durante milhares de anos. Agora, documentos provam que suas crenças se baseavam na perfeição de antigos cultos pagãos, uma mistura de batalhas das trevas e uma jornada apavorante em um mundo de misticismo, loucura e assassinos. (http://www.documentarios.org/)


"Nos Braços de Estranhos - Histórias do Kindertransport"

Título Original: Into the Arms of Strangers
Gênero: Documentário
Origem/Ano: EUA/2000
Duração: 118 min
Direção: Mark Jonathan Harris

Sinopse: narra a saga de crianças judias que, vivendo na Alemanha e na Tchecoslováquia em 1938, foram enviadas pelos pais à Inglaterra para escaparem da perseguição nazista e passaram a viver com estranhos. Recolhendo depoimentos, e juntando-os a muitas imagens da época do nazismo, o filme mostra as crianças relembrando esse episódio pouco divulgado da Segunda Guerra Mundial com muita força e poder de comoção. Por esta razão, o filme ganhou o Oscar de melhor documentário. (http://www.ims.com.br/)


Aproveitem,
Maria Angela

terça-feira, 17 de junho de 2008

O Adolescente, a Escola e o Álcool – uma mistura difícil de digerir

“... Como está em fase de reorganização,
o cérebro adolescente é facilmente
influenciado pelo ambiente (positiva ou negativamente)...”
(blog Sala do Professor – 06/06/08)


Um dos pontos críticos em se tratando de educar adolescentes é a facilidade com que eles se envolvem em “perigos” ou são/ estão vulneráveis às novas experiências, nem sempre compatíveis com o que escola e pais esperam. Falo do acesso e uso de drogas em geral – as lícitas em especial (álcool e cigarro), a falsificação de documentos para ingresso em boates, o acesso à direção de automóveis sem licença.

Costumo dizer que as crianças nascem numa ilha de proteção chamada família. Neste grupo social, recebem toda a proteção necessária para sobrevivência nos primeiros anos de vida, quando ainda são muito dependentes e, em verdade até que saiam de casa quando adultos, pois são cuidados e continuam protegidos pelos pais quando cometem qualquer “bobagem” nas ruas.

A segunda ilha de proteção é a escola, um grupo social um pouco mais complexo, pois nele a criança entra em contato com as diferenças e aprende a lidar e sobreviver diante das diversidades que irá encontrar. De qualquer forma, ainda protegida. Todas as ocorrências são observadas, tratadas, cuidadas. As transgressões são discutidas, punidas quando necessário, e a pior sentença que um aluno pode receber é a exclusão do quadro discente: “convidado” a ser transferido para outra escola. No que diz respeito ao que ocorre dentro dos muros da escola, a segurança dos alunos – crianças ou jovens – é preservada.

A vida dentro da escola é um período de exercício de convivência social e desenvolvimento da autonomia mais ampliada. Espera-se que a criança / adolescente, ao sair, esteja preparada para viver fora dos muros escolares, longe da ilha protegida com condições de se defender e assumir a conseqüência de suas atitudes.

Lidar com a situação álcool, cigarro e outras drogas não é uma tarefa fácil para as escolas, que acabaram por assumir parte desta responsabilidade. Acontece que é possível desenvolver belíssimos programas preventivos: acesso à informação científica, melhoria da auto-estima, conversas com especialistas e outros. No entanto, sozinha, a escola não garante resultados. Afinal, não é no espaço da escola (espera-se) que o adolescente se alcooliza. É fora dos muros escolares e aí a responsabilidade é da família.

No entanto, a escola deve manter sua postura crítica e ética e não trazer para dentro do ambiente escolar, não importando as circunstâncias, qualquer manifestação que incentive o uso de tais substâncias. Seja em uma festa, uma apresentação de teatro ou atividades menores em sala de aula. Afinal, se a escola desenvolve qualquer programa de prevenção, não pode ser incoerente num dia de festa. Além do mais, existe uma lei federal que proíbe a venda de bebida alcoólica para menores de 18 anos.

Certa vez um aluno foi levado até minha sala por seu professor de biologia. A queixa era que este aluno havia desrespeitado o professor com brincadeiras inadequadas e palavras ofensivas. O aluno, muito nervoso, queria se explicar, mas o professor não deixava e insistia que faria uma queixa para processá-lo por danos morais. Quando dei a palavra, o aluno justificou sua atitude, mas fez questão de dizer o quanto se incomodava com as brincadeiras de seu professor que, ao beber a água da garrafinha que levava para a aula, fingia ser alguém embriagado, só para fazer graça aos alunos. Isto aconteceu em São Paulo, há cinco anos. Até então não tínhamos conhecimento das brincadeiras do professor, que abriu um espaço para a brincadeira do aluno.

Ficou claro que, lamentavelmente, os valores pensados e elaborados pela equipe dos dirigentes da escola nem sempre são, de fato, incorporados pelos professores e outros funcionários. Infelizmente quando se escolhe esta profissão temos que abrir mão de sermos cidadãos comuns, pois somos “cidadãos públicos”, de quem se espera atitudes a se espelhar.

Fiz toda esta introdução para ressaltar minha indignação por conta da notícia vinculada nesta manhã (17/06) pela Folha de São Paulo – “Cervejaria patrocina festa junina de colégio de SP.”
Trata-se do Colégio Santa Cruz, uma renomada instituição de ensino, que já esteve em segundo lugar no ranking das cinqüenta melhores escolas de São Paulo em outubro de 2001, segundo pesquisa da Revista Veja, e em 2007 ocupou o quarto lugar entre as escolas “campeãs do Enem”.

Independente de sua classificação entre escolas, o que importa é que o Colégio Santa Cruz está há anos na vanguarda da educação em nosso país, propiciando a seus alunos (de classe sócio- econômica média-alta) não só a preparação para o ingresso nas universidades, mas sua inclusão num mundo social que é real. Exemplo disso são os programas de voluntariado desenvolvidos pela escola. Alunos que vão para a sala de aula de outros adolescentes carentes e trabalham como monitores dos professores em aulas de informática e filosofia (entre outras).
(
www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/gilbertodimenstein/ult508u396533.shtml)
(
www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/colunas/gd090608.htm)

Uma instituição que, além do compromisso com uma educação de qualidade aos alunos e serviços sociais prestados a comunidade, respeita seus professores, não só remunerando como merecem, mas investindo na formação constante de seus quadros.

Com todo respeito que tenho pelo Colégio Santa Cruz, alguém se perdeu na organização desta festa. Assim, espero que este “gol contra” marcado no último final de semana seja para todos um alerta sobre a necessidade de ações integradas na escola –pensamento e ação- afim de não perder de vista sua linha filosófica pedagógico-educacional para questões de ordem comerciais e financeiras.
Até a próxima!
Um abraço,
Maria Angela